Contexto atual da Apicultura

Em todas as regiões do mundo, a apicultura está enfrentando-se a enormes desafios que todas as atividades agropecuárias vivem, especialmente a familiar e a pequena escala. Os ecossistemas estão cada vez mais deteriorados por atividades humanas que geram perda de flora, fauna, biodiversidade, bosques nativos, fontes hídricas, entre outros. Os avanços da urbanização, o desmatamento, a derrubada indiscriminada de árvores, o desenvolvimento dos monoculturas intensivos, o uso de pesticidas, agroquímicos e organismos geneticamente modificados, estão alterando os ecossistemas, pondo em risco a vida das abelhas e da agricultura em seu conjunto.

A apicultura tem um impacto enorme na sustentabilidade dos ecossistemas: a atividade polinizadora das abelhas tem efeitos positivos muito importantes na sustentabilidade ambiental e produtividade de muitos cultivos agrícolas; e, por conseguinte, na soberania alimentar dos povos.

A apicultura contribui para a diversificação produtiva das parcelas e propriedades agrícolas e é um termômetro natural da saúde de nossos cultivos. Onde há abelhas, há vida.

A Rede Mel de CLAC na COP20 do Peru

Na COP20 de Lima (2014), a Coordenadora Latino-americana e do Caribe de Pequenos Produtores de Comércio Justo (CLAC) apresentou a voz dos pequenos apicultores diante da mudança climática. Um dos efeitos mais visíveis para eles são as mudanças nos regimes das chuvas: estas já não coincidem com as épocas de florescimento, causando uma queda substancial da produção de mel. Se os produtores não responderem com adequada manipulação para enfrentar as secas, há alta probabilidade de que haja enxames, que a rainha saia para procurar novos destinos e com ela a colônia completa; assim, o apicultor perderá todo o dinheiro investido na colmeia e as abelhas.

Além disso, está vivendo-se: uma generalizada diminuição da população por variações nas temperaturas; o aumento de umidade no mel por falta de abelhas; o aumento de pragas e doenças antes não detectadas; e uma mudança generalizada no comportamento das abelhas.

Infelizmente, muitos produtores convencionais respondem às dificuldades que o clima apresenta trocando de cultivo, utilizando uma maior quantidade de agroquímico, ou dedicando-se ao gado, o qual significa ulterior desmatamento e perda de vegetação. Ambas as escolhas são altamente negativas para o florescimento de muitas espécies silvestres altamente melíferas e poliníferas, tanto por eliminação de seu hábitat como pela aplicação de herbicidas.

A Rede Mel no 4° Simpósio Mundial de Apicultura Orgânica

Do dia 6 ao 10 de setembro de 2016, em Santiago Del Estero (Argentina), aconteceu o 4to Simpósio Mundial de Apicultura Orgânica (ApiBio 2016), organizado pela Cooperativa de Trabalho “CoopSol” (mel de comércio justo) e a Federação Internacional de Associações Apícolas APIMONDIA.

A Rede Mel de CLAC, que articula as cooperativas e organizações de pequenos apicultores de comércio justo da América Latina e do Caribe, participou apresentando os desafios para a apicultura de comércio justo, os quais incluem:

  • Melhorar a comunicação e visibilização dos impactos da apicultura e do comércio justo.
  • Propor políticas públicas diferenciadas que valorizem o papel da apicultura na sustentabilidade produtiva, ambiental e social de nossas áreas rurais.
  • Trabalhar conjuntamente, entre todos os atores da cadeia de fornecimento, para conseguir um melhor entendimento e o acesso a novos mercados, de maneira justa e solidária.
  • Compartilhar os riscos da mudança climática ao longo de toda a cadeia comercial.

Os pequenos produtores de comércio justo levaram a sua voz a cenários mais regionais e globais que, inevitavelmente, terão que se conectar cada vez mais com as suas realidades locais. No Simpósio, a Rede Mel de CLAC apresentou seu posicionamento público, chamando diferentes atores e setores para coordenar ações mais profundas para a sustentabilidade da apicultura.

As Organizações de Pequenos Produtores de Comércio Justo, articuladas na “Rede Mel” de CLAC, apresentaram em Santiago del Estero, no Congresso ApiBio 2016, um pronunciamento público que reúne os pensamentos compartilhados por seus representantes durante o dia 7 de setembro de 2016.

Desde as organizações de apicultores e apicultoras de comércio justo, faze-se o chamado aos atores públicos, privados e da sociedade civil, para unir e compartilhar esforços nas seguintes temáticas relacionadas com a sustentabilidade da apicultura:

1. Sensibilização e comunicação massiva para um consumo responsável de mel e outros produtos de colméia.

  • Promover, desde os diferentes níveis estaduais e governamentais, incentivos para o consumo do mel e outros produtos de colmeia nos mercados locais, nacionais e regionais da América Latina e do Caribe.
  • Construir novas estratégias comunicacionais, também com apoios de atores públicos e de meios de comunicação, para resgatar e valorizar o grande trabalho das abelhas na polinização e demais benefícios para a biodiversidade e sustentabilidade ambiental; além disso, os esforços dos pequenos apicultores que mantêm viva a apicultura nos países da região;
  • Promover as compras públicas e o consumo responsável de pequenos produtos apicultores de comércio justo, com diferentes atores, começando pelos mesmos sócios das organizações, as universidades, escolas, entre outros;
  • Desde as mesmas organizações de pequenos apicultores de comércio justo, promover uma melhor comunicação dos impactos do comércio justo e das histórias de vida e organizacionais por trás dos produtos vendidos.

2. Sustentabilidade das organizações de pequenos produtores.

  • Desde o ponto de vista do mercado global, os apicultores de comércio justo acham necessário um maior controle a nível internacional dos méis e outros produtos adulterados que já estão se comercializando. Estes produtos enganam o consumidor e representam uma competência desleal para os pequenos produtores. Neste aspecto, convidamos os mesmos compradores licenciantes Fairtrade a trabalhar de uma maneira mais cuidadosa e transparente, de acordo com os princípios do comércio justo;
  • Controlar a participação de grandes comercializadores (traders) de mel no sistema certificado Fairtrade, para que não afete a sustentabilidade dos menores;
  • Promover, desde as mesmas organizações, a produção e venda de produtos terminados já prontos para o consumo, para gerar maior valor agregado nos países produtores;
  • Promover a inclusão de jovens nas organizações de pequenos apicultores;
  • Promover trocas de experiências entre as organizações de apicultores do continente.

3. Aquecimento Global e Mudança Climática.

    • Construir alianças para sensibilizar, maiormente a sociedade em geral e todos os atores comerciais, sobre os efeitos negativos da mudança climática e sobre a necessidade urgente de compartilhar seus riscos entre todos os atores da cadeia comercial;
    • Criar, implementar e avaliar, com a participação direta dos produtores, políticas públicas para difundir nas comunidades rurais os benefícios que a apicultura gera e facilita assim a migração das colmeias em diferentes áreas rurais (por exemplo: incentivos impositivos);
    • Evitar o uso indiscriminado de pesticidas, por seus efeitos negativos na biodiversidade, a sustentabilidade dos solos, cultivos, e a saúde humana, e também para mitigar o aquecimento global.

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